Arquivado em: provocações — postado por Antonio Fernando Borges em julho 02, 2008 às

Agora que (surprise!) descobriu-se que o mundo-passa-fome, resta a pergunta que não quer calar:

Que fim levou o aquecimento global, que iria destruir o planeta em dois tempos?


Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em junho 27, 2008 às

Para alguns (os piores, sempre) há de parecer absurdo ou contraditório. Mas este blogue interrompe seu silêncio involuntário para vir pedir aos leitores fiéis... "um minuto de silêncio".

Hoje, celebra-se um ano da morte de Bruno Tolentino -- sem dúvida (embora alguém sempre duvide!) um dos maiores poetas de língua portuguesa.

E, para um grande poeta, não se pode pedir mais do que silêncio -- e um par de aspas, é claro.

Para relembrar algum trecho inesquecível de seu legado, mas sobretudo para impedir que os tolos de cara alegre se animem a falar em seu nome:


"Tudo vai-se acabando, tudo passa
do que é ao que era; é tudo mais
ou menos uns vestígios de fumaça
no espaço do que deixas para trás.

E tudo o que deixaste ou deixarás
de manso ou de repente, sem que faça
diferença nenhuma no fugaz,
é assim como a garoa na vidraça:

intimações de lágrima delida.
Não valeu chorar nada. Nem te atrevas
a lamentar-te à porta da saída.,

pois pouco importa a vida como a levas,
que ela te leva a ti, de despedida
em despedida, a uma lição de trevas."


(Tudo bem: o poema é manjado -- mas meu luto não está nem aí para a originalidade. E agora silêncio, um minuto ou mais, pelo Bruno e -- ai! -- por cada um de nós...)



Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em junho 08, 2008 às
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...ou, melhor dizendo, a "mais recente loucura de Martim Vasques da Cunha" é, para quem não sabe, o lançamento de Dicta & Contradicta , caso raro de uma revista brasileira sobre filosofia, literatura, idéias e negócios do espírito que não é feita por intelequituais -- mas por adultos dispostos a tratar os leitores também como adultos.

Editada pelo Instituto de Formação e Educação, sob a batuta de jovens de fibra como Henrique Elfes, Joel Pinheiro da Fonseca, Rodrigo Duarte Garcia e Martim Vasques da Cunha, Dicta & Contradita é um acontecimento de peso, na contramão da indigência reinante no Brasil-País-de-Todos.

Para não acharem que estou exagerando: você conhece outra revista, editada no Brasil, que trate de Ortega y Gasset, Hayek ou Samuel Johsonn, em textos assinados por Mendo Castro Henriques, Roger Kimball e Luiz Felipe Pondé? Um pequeno milagre -- que traz ainda a transcrição da última aula do poeta Bruno Tolentino.

Nosso bravo portal também está presente neste "milagre", com um conto inédito de Antonio Fernando Borges, um artigo do Paulo Ricardo sobre os filmes de Max Ophüls e um texto de humor do grande Ruy Goiaba.

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Quem estiver em São Paulo não deve perder o lançamento de Dicta & Contradicta, nesta terça-feira, dia 10 de junho, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

E para aqueles que acham que a a vida-do-espírito no Brasil é uma causa para sempre perdida, faço minhas as palavras de Thomas Payne, que o Gordo Alegre adorava repetir: "As causas perdidas são as únicas pelas quais vale a pena lutar".




Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em junho 05, 2008 às
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Não gosto de deixar o blogue assim, meio abandonado, como um filho ou bicho de alta estimação a que não se dá a atenção devida. É que os compromissos andam enormes, e a imaginação pequena para alimentar posts que valham.

Mas excesso de trabalho não é sinônimo de angústia ou infelicidade. Pelo contrário: ando cansado, mas feliz. E, enquanto a disponibilidade maior não chega, deixo-os em companhia de mais uma breve (mas consistente) passagem daquele que (depois de Deus e da mulher amada) tem ajudado a encher de encantamento minhas horas mais atribuladas:

"A felicidade perfeita do homem sobre a Terra (se ela um dia acontecer) não será uma coisa plana e sólida, como a satisfação dos animais. Será um equilíbrio exato e perigoso, como o equilíbrio de um romance desesperado. O homem deve ter a medida exata e suficiente de fé para viver aventuras, e a medida exata e suficiente de dúvida para usufruir delas."


Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 29, 2008 às

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Em toda esta discussão em torno da liberação de pesquisas com células-tronco (quase toda ela apoiada em tolices e sofismas primários), o que mais me espanta é a idéia (positivista) de que a razão (científica) ajuda a combater o "obscurantismo" das religiões.

Sem ânimo, tempo nem bagagem para mergulhar a fundo no debate (o que, aliás, também não vem sendo feito nem pela imprensa nem pelos dotôres do Supremo), limito-me a transcrever as palavras geniais do médico psiquiatra judeu austríaco Viktor Frankl, a respeito da (ir)responsabilidade dos cientistas:

"Não foram apenas alguns ministérios de Berlim que inventaram as câmaras de gás de Maidaneck, Auschwitz, Treblinka: elas foram preparadas nos escritórios e salas de aula de filósofos e cientistas niilistas -- entre os quais se contavam e se contam alguns pensadores anglo-saxões laureados com o Prêmio Nobel. É que, se a vida humana não passa do insignificante produto acidental de umas moléculas de proteína, pouco importa que um psicopata seja eliminado como inútil e que ao psicopata se acrescentem uns quantos povos inferiores: tudo isso não é senão raciocínio lógico e conseqüente."

Frankl era judeu, como Marx, Freud e outros tantos intelequituais que contribuíram para a construção deste pesadelo. Mas, ao contrário de seus patrícios, ele se manteve fiel justamente à tradição religiosa judaica, uma das fontes preciosas (e nada obscurantista) de sua busca do sentido da vida.



Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em maio 28, 2008 às
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Nem o conservadorismo nem o excesso de peso são suficientes para que eu me considere um Chesterton. Ninguém é perfeito... Mas vai que ajudam?



Arquivado em: oops! , provocações , um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às
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As inteligências vulgares não percebem, mas G. K. Chesterton foi (é) um pensador ousado, em nada parecido com os desfibrados philosophes atuais.

Zeloso como todo bom combatente, Chesterton enfrentava sem medo (e com brilho) os leões de seu tempo, intelequituais de altíssima reputação -- Bernard Shaw, H.G.Wells, Sigmund Freud, Karl Marx et caterva -- mas que eu mal considero dignos de links num blogue.

Relendo-o (como já expliquei aqui) para participar de um ciclo de palestras na Livraria Cultura, em São Paulo, encontrei mais esta pérola, que divido com vocês:

"Que os homens e os animais são iguais é, em certo sentido, um truísmo. Mas que, sendo tão iguais, sejam tão disparatamente diferentes – eis o choque e o enigma. O fato de um macaco ter mãos é muito menos interessante para o filósofo do que o fato de que, tendo mãos, não faça quase nada com elas."


Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 25, 2008 às
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O fato de que o antropólogo Guillermo León Sáenzá, a.k.a. Alfonso Cano, irá assumir o comando das famigeradas Farcs, com a morte do no.1 Tirofijo, mostra bem a função e o caráter das ciências "humanas" no mundo contemporâneo: destruir a ordem civilizacional acumulada ao longo de milênios pelo Ocidente.

Tudo isso, é claro, em nome de um "outro mundo possível".

Fiéis ao comando do barbudo alemão que cheirava a charuto, esses intelequituais não querem compreender o mundo: querem transformá-lo.

Deus que nos proteja!

Em tempo: a morte de todo homem me diminui (OK, não me esqueci!): afinal, sou parte do gênero humano. Mas, se a caçada e liqüidação de guerrilheiros-traficantes-seqüestradores tiver que ser o preço a ser pago para a restauração da paz e da justiça na Colômbia e na América, que assim seja! Amém.



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em maio 23, 2008 às
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"Só quando estamos completamente desesperados é que a esperança se revela a verdadeira força."


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"Somos nós que fazemos nossos amigos e nossos inimigos, mas é Deus quem escolhe nosso vizinho do lado."


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"A intolerância pode ser mais ou menos definida como a indignação dos que não têm opinião formada."


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"O abismo entre o homem e as outras criaturas pode ter uma explicação natural – mas é um abismo."

Alguns closes, chestertonianos e femininos (atendendo a irrecusáveis pedidos): para o seu deleite...



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em maio 22, 2008 às
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O acaso (cujas preferências ecológicas desconheço) pôs diante de mim, ontem à noite, este trecho magnífico de G. K. Chesterton, cujos livros ando revisitando, para participar de um ciclo de palestras em São Paulo.

Teve, para mim, o efeito balsâmico de um antídoto contra a recente enxurrada de declarações estapafúrdias, a propósito da posse do ministro colecionador de coletes e tolices.

Deliciem-se com o "gordo-alegre":

“Só o sobrenatural pode assumir uma visão sadia da Natureza. A essência de todo panteísmo, evolucionismo e religião cósmica moderna está realmente nesta proposição: que a Natureza é nossa mãe. Infelizmente, se você considerar a Natureza como mãe, vai descobrir que ela é madrasta. O ponto principal do Cristianismo era este: que a Natureza não é a nossa mãe – a Natureza é nossa irmã. Podemos sentir orgulho de sua beleza, já que temos o mesmo pai; mas ela não tem autoridade sobre nós; devemos admirá-la, não imitá-la.”



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em maio 19, 2008 às
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Um projeto de lei que regulamenta a profissão de escritor acaba de ser rejeitado pela Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara, lá em Brasília.

É preciso estar de olhos sempre bem abertos contra esta estrovenga, caros amigos escritores, leitores e homens de bem em geral.

O projeto (no. 4641/98) estabelece normas para o exercício da profissão de escritor -- e já tinha sido sido aprovado pela Comissão de Educação e Cultura (!!) da Câmara. Há 15 dias, foi votado na Comissão de Trabalho, que a rejeitou, sob alegação de que não existe uma profissão específica de escritor e que a legislação brasileira já asseguraria os direitos dos escritores sobre suas obras.

O texto vai agora para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

Todo cuidado é pouco... Lembrem-se do que aconteceu com a profissão de jornalista: exercida tradicionalmente pelas melhores cabeças nacionais, acabou ficando restrita a um punhado de idiotas com diproma universitário de Comunicação Social.

(Com as louváveis exceções de praxe, é claro.)

Coisa de político que adora regulamentações e policiamentos em geral. Autoritários vocacionais. Como os nossos queridos legisladores...



Arquivado em: pequenos milagres — postado por Antonio Fernando Borges em às
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Todas as vezes em que tento a desistência, pensando (por antecipação) que a Literatura vai acabar em breve e que o famigerado "gosto popular" vai tomar conta de tudo, como um grande esgoto universal, lembro-me das palavras de meu querido amigo Ivo Barroso, poeta e tradutor finíssimo, sinalizando que nem tudo afinal está perdido:

"Cachorro só come osso porque não dão carne pra ele!"

(Grande Ivo! Que os anjos digam: "Amém!")

((E agora que não têm mais desculpas, mãos à obra, seus preguiçosos!))



Arquivado em: oops! — postado por Antonio Fernando Borges em maio 16, 2008 às
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Graças à comemoração do centenário de morte do casmurro escritor do Cosme Velho, finalmente seus livros começam a ser traduzidos... para o português.

Para conferir, é só clicar aqui.



Arquivado em: curto e grosso — postado por Antonio Fernando Borges em maio 14, 2008 às
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A vitória da democracia tem sido comemorada, mundo afora, toda vez que um mandatário fardado é deposto ou afastado. Regimes civis, conduzidos por governantes eleitos, seriam hoje maioria no mundo -- um indício (dizem os intelequituais) de que a Idade Contemporânea pode ser definida pelo aumento crescente das liberdades políticas, coletivas e pessoais.

Sério?!

Em face dos últimos acontecimentos, seria o caso de perguntar de onde essas pessoas tiram suas teorias esdrúxulas, e o que eles entendem, afinal, como liberdade?

(Liberdade = o "direito" de obedecer de bico calado?)

O titular deste blog (que não fuma) está de luto, ao ver a liberdade individual morrer mais um pouquinho...

É proibido fumar?! Então cabe a pergunta aos defensores da "liberdade de expressão": mas maconha pode?!!



Arquivado em: um par de aspas — postado por Antonio Fernando Borges em às


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"Um moralista dizia que as mulheres são extremas: ou melhores ou piores do que os homens."

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"Loteria é mulher: pode acabar cedendo um dia."

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"Mulheres sabem: a ousadia é a primeira virtude masculina."

Uma (tripla) cortesia de Machado de Assis.